Não se intitule por palavras, use-as como mapa. Navegue. E faça o que você é, ser cada vez mais.

sábado, 12 de outubro de 2013

xD

"Ser criança é acreditar que tudo é possível.
É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco
É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos


Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.
É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.

Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser."

Sendo partida, partirei.












Tudo um dia vai fazer sentido.
Vai sim.
Vai.
Deus te abençoe.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Com o coração cheio de amor e a poesia enferrujada, deu isso aí

Tinha um sorriso de fazer meu corpo entrar em choque
Na dúvida se tremia ou se paralisava diante dele
Meus olhos sorriam de volta querendo fotografá-lo

É difícil não querer fechar meus olhos pra procurá-lo
E encontrá-lo aqui dentro como uma boa memória
Como uma página favorita no meu livro de vida

Nem todos tem a minha "sorte" grande durante a vida 
Estar diante do calor e suportar sua dádiva e sua ferida
Beber da fonte da alegria sabendo que haverá partida

Poucos ousam ser presenteados, a maioria tem medo
De sentir amor, amar, se doar e não ser correspondido
Ou de segurar uma mão e seguir com ela pra sempre

Mas não se escolhe a quem amar, Deus escolhe por nós
Para ser a pessoa perfeita pra gente e a Sua preferida
Para se tornar parte de nós e ir com a gente pra casa

Pode ser que essa pessoa fique pra sempre com você
Fique apenas um dia ou viva entre muitas despedidas
Mas você saberá que é ela... Por causa daquele sorriso!






domingo, 22 de setembro de 2013

O que você faz pra ser feliz?


Macaé

kkkkkkkkkkk Uma vez, você me emprestou um livro... "Castelo de vidro", lembra? Muito lindo! E aprendi com a mãe da personagem que a vida seria mais fácil se nos momentos difíceis e melancólicos, nós procurássemos o lado irônico das coisas... Esse vídeo é engaçado... Apesar de me lembrar do quanto você tem que fugir de mim.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nesse mundo há tanta gente

"Ninguém mais vai entender
Como nos encontramos
Nesse mundo de desamor
Alguém mais vai perceber
Como nos damos tão bem

Foi o meu pedido aos céus
Foi naquele momento na praia
Um anjo lindo chorando na areia
Invadiu o meu coração de cor
Eu tenho sorte, amor

A correnteza insiste em brincar
Suas ondas envolvem o meu amor
Levando-o e trazendo-o de volta
Fazendo-me sorrir e sentir dor
Ao sentir de suas mãos um intenso calor

Mas foi fácil te encontrar
Você já estava dentro de mim
Você sempre esteve como meu amor
Mesmo quando te perdi"



Você marcou na minha vida


terça-feira, 30 de julho de 2013

Se ame! ;]

         "Viver uma verdadeira experiência amorosa é um dos maiores prazeres da vida. Gostar é sentir com a alma, mas expressar os sentimentos depende das idéias de cada um. Condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Vivemos uma vida tentando fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente.
Queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso a eles. Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha a preencher o buraco que nós cavamos. A insatisfação, o vazio interior se transformam na busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão. Cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades. Só quem se ama pode encontrar em sua vida Um Amor de Verdade".

Zíbia Gasparetto

sábado, 15 de junho de 2013

Nortear

       Quando eu precisei sair do Caminhos do Sol, Deus me colocou no caminho das pesquisas. Viajei para congressos, palestras e conferências. O estudo contínuo da minha formação de forma ampla me trouxe muitas publicações, experiências e momentos de sabedoria. Além de momentos de alegria nos passeios com os amigos. Mas, numa virada de semestre, perdi minha bolsa de pesquisa e iria ficar sem dinheiro. No momento que soube disso, me desesperei! Tinha contas e cursos pra pagar, estava contando com a bolsa e nao tinha procurado outro trabalho! Fui ficando preocupada, não sabia nem para onde ir... Até que uma amiga apareceu, começou a me confortar e falar de Deus. Comecei a ver o quão pequena ainda é a minha fé! Perdão Senhor! Comecei a perceber que tinha tornado um problema maior que o meu Deus! Aconselhada pela minha amiga, fui orar. Momentos depois, a coordenadora do meu curso passou por mim e perguntou o motivo do meu semblante está avermelhado, como se eu tivesse chorado. Eu realmente estava chorando. Tentei desfarçar, mas educadamente ela se preocupou e insistiu em saber. Contei os detalhes do que estava acontecendo. Ela olhou pra mim, falou que eu não me preocupasse, que aluno dedicado não ficava sem atenção. E disse que iria entrar em contato com uma amiga sobre um projeto social que estava precisando de estagiáriode EF. Logo a tarde, ela me liga. Tudo confirmado! Mesmo sem entender e perceber, tudo aconteceu porque eu já tinha um novo caminho a percorrer. Meu Deus me mandou para os caminhos do Norte!
       A caminho de conhecer o projeto, eu conversava com o meu Deus e perguntava se esse era mesmo o caminho que Ele planejava pra mim, O relembrava do quanto eu queria que meus estudos contribuissem para as obras Dele, que eu nasci para servi-Lo e que gostaria de estar onde precisassem realmente de mim. Pedi que Ele me enviasse um sinal para eu dar o meu sim. Foi aí que do nada, o carro da diretora do projeto onde eu estava parou, ela e o enfermeiro do projeto desceram e correram para um local onde havia acontecido um acidente. Eles tinham materiais de primeiros socorros no carro. Foram ajudar o acidentado e depois, quando a ambulância chegou e o acidentado já tinha sido devidamente atendido pelos dois, seguimos nosso caminho. Não ganharam prêmios e nem aplausos. Mas saíram de lá com a sensação de dever cumprido. Eu entendi na mesma hora! Era com pessoas com o coração assim mesmo que eu queria trabalhar junto! Pessoas que trabalham em busca de qualidade de vida para todos e que mesmo diante da correria da vida, estão sempre preparados para ajudar o próximo.



"Qual o sentido de viver?
O que fazer p'ra ser feliz?
Qual a noção do saber?
O que o meu coração não diz

É só amar, amar
Cada um, por cada um
É este o sentido"
[ Kim, Cezar e Júlio C]

domingo, 9 de junho de 2013

Pura Fé

“E o pequeno príncipe disse ao homem: Adultos nunca entendem e é cansativo para as crianças sempre terem que explicar as coisas a eles.” 
(O pequeno príncipe)


Regras x Amor

"Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Quanto mais você viver na verdade, mais suas emoções irão ajudá-lo a ver com clareza. Mas, mesmo então, não confie mais nela do que em Deus. [...] Muitos acham que se tornam justos seguindo as regras. Em Jesus, você não está sob nenhuma lei. Você as cumpre por amor e não por mérito. Só têm medo da liberdade os que não podem confiar que Deus habita neles. Tentar manter a lei é na verdade uma declaração de independência, um modo de manter o controle. Gostamos tanto da lei para nos dar algum controle e muito pior, para nos dá poder de julgar os outros e de se sentir superior a eles. Eles acreditam que estão vivendo num padrão mais elevado do que aqueles a quem julgam. Aplicar regras, sobretudo em suas expressões mais sutis, como responsabilidade e expectativa, é uma tentativa inútil de criar a certeza a partir da incerteza. As regras não podem trazer a liberdade. Elas só tem o poder de acusar. [...] A religião usa a lei para ganhar força e controlar as pessoas de que precisa para sobreviver. Jesus, ao contrário, dá a capacidade de reagir e nossa reação é estar livre para amar e servir em todas as situações. Por isso, cada momento é diferente, único e maravilhoso.Se Deus simplesmente nos desse uma responsabilidade, Ele não precisaria estar com a gente. A responsabilidade seria uma tarefa a realizar, uma obrigação a cumprir, algo para vencer ou fracassar. [...] Tenha em mente que se você viver sua vida sozinho e de forma independente, a promessa é vazia. Não adianta viver em retidão e em estado de graça sem buscar a Deus. Buscando a Deus, você alcançará toda o estado que precisa. [...] Deus não quer ser o primeiro numa lista de valores. Quer estar no centro de tudo. Quando Ele vive em nós, podemos viver juntos tudo que acontece no dia a dia. Em vez de uma pirâmide, Ele quer ser como um centro de um móbile, onde tudo em nossa vida - amigos, família, trabalho, pensamentos, atividades - esteja ligado a Ele, mas se movimente ao vento do Espírito Santo, para dentro e para fora, para trás e para a frente, numa incrível dança do ser. ".

A Cabana (adaptado da primeira pessoa para a terceira).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Viva a bola!

- Minha filha, com licença. Você não acha que vai ficar doida de tanto estudar e jogar bola não? Tem que sair tanto de casa assim?
- Mãe... se eu não tivesse feito pra Educação Física, eu estaria muito longe daqui.
- Como assim?
- Eu teria feito para Biologia. Eu pensei também em ser Bióloga Marinha... Ir morar no meio do mar.
- DeusMeLivre! VIVA A BOLA! VIVA A BOLA! Falo mais nada!

kkkkkkkkkkkkkkkkk Comentário feito enquanto eu terminava um relatório de estágio. ;]
Amo minha mãe!

domingo, 2 de junho de 2013

Contos da borboletinha – a estrela

Quando consegui me enrolar numa quantidade suficiente de folhinhas pra me esquentar, adormeci! Quando acordei, havia esquecido onde eu estava. Parecia que estava ali a anos! Só tinha um buraquinho acima da minha cabeça que me deixava ver muito pouco das coisas do lado de fora. Desesperei-me porque não conseguia me mexer. Não conseguia me soltar! Comecei a gritar e chorar! Meus pais correram ao meu encontro e pediram pra eu me acalmar. Explicaram que eu estava vivendo a primeira fase da minha metamorfose, que eu tinha que ter calma e não ficar nervosa. Mas que agora eu não poderia sair dali antes de todo o ciclo se cumprir. Que eu já não era mais aquela garotinha lagarta. Agora eu era uma nova larvinha no meu casulo. No primeiro momento, gostei da idéia. Fatos são fatos. Se aquilo fazia parte da minha natureza, cabia a mim interpretar se cada novo passo do ciclo era relevante ou pouco significativo, permanente ou passageiro. Eu poderia fazer daquele casulo o meu novo mundo, longe de outros seres pois assim eu não iria sofrer pela saudade,longe das sujeiras do chão e da maldade dos bichos. Mas, quando a primeira noite chegou, minha mamãe precisou dormir do lado do meu casulo. E nos dias seguintes, eu comecei a sentir medo do que poderia me atingir sem eu poder ver ou me mexer. Queria meus pais sempre comigo, mas eles não podiam, tinham que trabalhar. Minha Irma havia se casado e resolvido partir em viagem para um jardim só deles. Meus amigos ainda não sabiam da minha situação e eu não tinha como avisar. Nem uma bola ou livro eu tinha pra me distrair. Minha mãe falou que algo estranho aconteceu comigo. O normal seria eu passar minha fase do casulo hibernando, e não deveria ter acordado. Combinamos que ela ficaria sempre aparecendo pra ficar comigo quando tivesse folga, mas isso era tão raro. Comecei a me entristecer e me sentir mais estranha. Até que mais uma noite chegou.Um brilho forte invadiu o meu casulo e não me deixava dormir.
- Oi? Alguém pode apagar a luz, por favor?
- Você está maluco? Meu brilho é perfeito demais para ser apagado!
- Me desculpe, senhora estrela. É que eu gostaria de dormir um pouco.
- Tudo bem, vou dar uma volta. Boa noite pequeno casulo.
A lagartinha quis explicar que ela não era aquele casulo verde que a estrela conseguia ver, mas pensou melhor. O casulo agora fazia sim parte dela.
- Certo... Boa noite Dona Estrela.
O dia surgiu. Bem cedo meus pais me acordaram com uma linda canção e ficaram entusiasmados por ouvirem a minha voz saindo do casulo e acompanhando no cântico.
- Menina! Vou te levar comigo (8)
A novidade do meu casulo se espalhou para todos os meus amigos da escola que felizes, vieram me visitar ao longo dos dias. E em algumas noites, a estrela vinha me visitar também. Apesar de ainda me sentir fraca e indefesa, já não estava solitária. Chorava as vezes por não ser como os outros insetos que se modificavam sem precisarem estar presos e me sentia cada vez mais raiva por pensar que eu era feia e estranha.
- Mas você não é estranha! – exclamou a estrela.
- Dona estrela, a senhora não entende... – triste, falei.
- Primeiro, não me chame mais de “dona” que eu não sou dona de ninguém, nem de “senhora” pois eu sou uma das mais jovens estrelas da minha constelação. Hum! Vejam só, eu tão linda e novinha assim sendo chamada de seonhora ou dona. – Depois de murmurar um pouco, a estrelinha continuou. – Mas, o seu caso é o seguinte, cada ser tem suas formas e seu próprio caminho de desenvolvimento e até mesmo seu próprio jeito de ver as coisas, as corujas que a digam! O que eu quero dizer é que você não é estranha. Você só é você! Única! Do jeito que Deus quis. Cada ser passa por sua formação de maneira singular, inigualável! Ou você acha que qualquer um pode brilhar assim, como mói? – Questionou-me com ar de superioridade.
- Desculpe-me senhoriiiita estrelinha, seu brilho PE único sim, novinha! Obrigada por conversar comigo. Agora eu sei que todo mundo passa por transformações, visíveis ou não, e que o melhor é aceitar procurando não achar estranho, e sim, maravilhosamente diferente!
- Ser do mundo não significa apenas se adaptar a ele, mas ter vontade de transformá-lo para melhor também com as características que só você carrega.
- Eu não consigo ver como ficar presa aqui dentro pode ser um método eficiente para a minha metamorfose. Deus não podia ter criado um método mais fácil? – Reclamei sem perceber.
- Somos seres capazes de promover mudança também e as vezes, nos preocupamos tanto com nossa aparência que não conseguimos perceber que ocorrem mudanças dentro da gente também. Você já pensou nisso? Imagine quantas lições e experiências você está vivendo aí!
- Que experiências, estrelinhas? Eu to presa! Eu não sou so esse casulo verde que você vê. Sou por dentro algo que mal pode se mexer. Não consigo descansar como eu preciso. Nunca serei uma borboleta como minha irmã... – e terminei de falar chorando.
A estrelinha só tentava ajudar a eu me sentir melhor, mas eu já estava cansada demais de chorar e adormeci. No novo dia, o mau humor me pegou e eu não quis falar com ninguém. A noite, a estrelinha pareceu adivinhar e não foi me visitar. Dormi sentindo falta de muitos amigos. Minha mãe veio se deitar perto do casulo para tentar me deixar melhor. Quando amanheceu, eu senti uma enoooorme vontade de andar por aih, mesmo no chão sujo e jogar bola. Mas o dia se passou comigo praticamente estática no casulo. Quando a noite chegou:

- A minha mãe explicou que você é uma futura borboleta, não é? Eu já entendi tudo. Metamorfose é... como eu posso explicar... Olha, ninguém pode viver sua vida por você.... Você precisa ser forte e acreditar que só depende de você. Você vai sair daí logo logo e vai voar bem pertinho de mim. - Disse a estrela.
- Eu espero - Respondeu a lagartinha de maneira mais conformada.
- Acredite! Você vai ser uma borboleta tão radiante dependendo da sua maneira de se preparar para esse feito! - Finalizou a estrelinha.
- Sabe - com um certo receio a lagartinha continuou - Ontem, você não veio conversar comigo, certo? Mas até que foi bom... Pude ter certeza de uma coisa.
- Foi bom??? - se espantou a estrelinha - Que certeza você teve?
- É porque ontem uma estrela passou por aqui e eu pensei por um breve momento que era você. Senti uma alegria tão grande daquelas que não se consegue medir. Mas percebi no minuto seguinte que aquele brilho não era o seu... E a alegria se converteu em tristeza.
- Ainda não entendi. Isso foi bom? - INdagou a estrela confusa.
- Claro! Eu pude perceber que você me cativou! Não vê? Você é minha amiga! Sua existência já é parte dos meus sentimentos. Você é mais que uma simples estrela para mim agora. É a minha estrela amiga.
- Puxa! Somos amigas mesmo? Você gosta de mim? Porque eu já gosto muito de você, mesmo não podendo te ver por inteira com meus olhos, já te vejo muito com meu coração.
A lagartinha sorriu desejando que sua amiga estrela pudesse vê-la sorrir e se despediu para mais uma manhã que se anunciava.

Caminhos do Sol - 7



O dia mais pesado era a sexta-feira. Pela manhã, as oficinas começavam às 7 e meia com as crianças e terminavam às 11 e meia com os adolescentes. E a tarde, as oficinas começavam às 14 horas com os adolescentes até as 16 e meia. Os protetores solares, a água gelada dos bebedores e a água jogada no campo até tentavam, mas o sol muitas vezes era maltratante. Mesmo de boné, minha cabeça saia fervendo e durante a noite e o dia seguinte, a febre às vezes me acompanhava. E eu perdia um dia só me recuperando da sexta- feira. Eu comecei a pensar no quanto ainda tenho que me capacitar pois, apesar de lindo o trabalho em projetos sociais, as condições financeiras me exigiam mais de um serviço. Com os estudos se intensificando, as cobranças acadêmicas e financeiras apertando, Deus me presenteou com uma bolsa de pesquisa dentro da universidade. Assim, eu poderia cumprir todas as minhas funções acadêmicas e experimentar a parte de pesquisa da minha área de estudo. Serviu muito para eu descobrir o quanto a parte de pesquisa é significativamente importante para a efetuação da prática de extensão, mas também para eu me afirmar mais como educadora prática do que pesquisadora.

As crianças perguntavam o porquê de eu sair. Eu dizia que era porque ainda precisava estudar mais e porque estava ficando um pouco doente, precisava me fortificar pra voltar mais preparada. Diziam que iam fazer greve na universidade (nunca haviam conhecido a universidade, nem sabiam de seu tamanho). Pediam para eu os visitar, para eu voltar quando terminasse minhas pesquisas, para não esquecer deles. Os adolescentes só perguntaram os motivos e diziam que eu queria os abandonar. Entendi como a forma dele de dizer, "fica um pouco mais". As meninas não gostaram da ideia e eu soube que o time feminino foi desfeito depois que eu saí. Sofri muito pela noticia. Mas estava decidida. Fiz muitas amizades que ficaram pra sempre!! Completei um ano no projeto e sai me sentindo com o dever cumprido e totalmente transformada positivamente. Eu havia escolhido o caminho certo. O caminho de Deus. Estava rumando a novos nortes.

Caminhos do Sol - 6


Entre toda a particularidade da comunidade que Deus me enviou, havia dois participantes que portavam uma deficiência mental. Eram irmãos, mas os níveis das deficiências eram diferentes. O mais velho tinha 21 anos e agia como uma criança de 3 anos, tinha dificuldade de se locomover e mexer os braços. Repetia tudo o que falávamos, não conseguia entender as regras, mas era carinhoso e super participativo. O outro, tinha 12 anos mais agia como uma criança de nove anos. Tinha dificuldade na fala, sabia exatamente as regras e mas tinha níveis de estresse facilmente demonstrados e era muito sujeito a descumprir as normas e mentir para seu beneficio.
Eu já tinha estudado uma disciplina chamada Inclusiva, que me ajudou muito a lidar com as situações que os envolvia. Eles participavam das turmas das crianças e minhas aulas começaram a ser preparadas pensando também nas características limitantes deles. Com o d 12 anos, percebi que só precisava trabalhar conceitos de cooperação e trabalho em grupo. Além de propiciar momentos de diálogos. Já com o de 21 anos, encontrei dificuldades iniciais, porque as outras crianças não o queriam no time delas na hora dos jogos e o chamavam de "doido". Durante os momentos devocionais, os próprios momentos de insultos e também nas horas do lanche, eu estimulava a discussão sobre diferenças entre todas as pessoas e um dos alunos chegou a uma conclusão que todos concordaram e que contribuiu muito para a inclusão do jovem de 21 anos. Ele disse, "professora. Se todos nós temos diferenças entre todos e limites só nossos, todos nós temos um pouco de doideira dentro da gente né? Não posso nem julgá-lo que amanhã posso tá agindo mais doido que ele!". A gargalhada correu solta entre eles, mas isso ajudou o entrosamento e o respeito entre todos. No campeonato que realizei de despedida, o time que tinha o jovem de 21 anos na equipe foi para a final. Um dos jogadores dessa equipe foi expulso e o jovem de 21 anos entrou em seu lugar. A partida foi para os pênaltis. Com arbitragem de fora da comunidade, eu não realizei influência em nenhum dos jogos. As penalidades deveriam ser três de cada time, se houvesse empate, era mata- mata a cada batida! Todos do time adversário haviam batido. Estavam no mata- mata. Uma menina do time adversário havia feito e um menino do time dele também. Depois, um menino da equipe adversária havia perdido a cobrança e só faltava o jovem de 21 anos bater. Todos da equipe dele correram em minha direção pedindo para eu escolher outro pra bater. Eles imploravam e eu pedi pra falar sozinha com o capitão do time. Ele chegou cheio de argumentos vazios, implorando pela mudança de cobrador. Eu falei que ele tinha dois minutos pra se reunir com o time dele e voltar com um argumento aceitável para eu fazer essa mudança de cobrador. Se eles conseguissem, eu mudava, se não, tinha que ser ele. Eles foram, o tempo passou. Quando ele voltou, questionei:
- E aí? Por que ele não pode cobrar?
- Por que ele é doente da cabeça!
- Mas se chuta com os pés. E aí?
- Ele vai errar!
- Qualquer um está sujeito a errar. E aí?
- Ele nem sabe o que está fazendo!
- Ele sabe sim. Vem aqui. Olha o rosto de alegria dele em estar brincando com vocês. Você quer realmente tirar essa alegria dele, essa chance que ninguém sabe quando ele vai ter, só pra vocês vencerem o jogo?
Ele ficou pensando. Calado. Depois abaixou a cabeça e disse:
- Tudo bem. Ele deve cobrar.
O arbitro ajeitou a bola. O capitão do time foi lá no jovem e apontou pra ele a direção que ele tinha que chutar e mandou ele chutar o mais forte possível. Meu coração disparava eletricamente rápido pensando no que aconteceria se ele perdesse esse pênalti, como eu deveria agir e o que falar. Mas... A bola saiu como um jato dos pés do menino! Todos correram na direção dele pulando em cima dele, a equipe dele e toda a torcida que queria vê-lo acertando. Foi uma alegria das grandes!!! Fizeram uma festa! Era sorrisos para todos os lados! E aí, na entrega das medalhas, me aproximei do pequeno capitão e falei:
- E aí?
Ele sorriu envergonhadamente contente.
- O que você aprendeu hoje?
- Que não posso subestimar meus adversários e muitos menos, meus companheiros.
Dei um abraço forte nele e fomos lanchar.

Caminhos do Sol - 5

Era um domingo e uma das maiores educadoras sociais que já conheci (e olhe que ela ainda nem era formada), resolveu realizar uma gincana na comunidade. Preparamos as provas e discutimos os prêmios e tudo o mais que precisava ser organizado. Mas ela preparou tudo. Arranjou o espaço (a gincana aconteceu numa escola do bairro), o lanche, os materiais para as provas, mobilizou a comunidade divulgando nas escolas e nos projetos, convidou jurados e montou equipes com um educador responsável por cada uma. A distribuição dos participantes nas equipes foi feita de forma aleatória, assim, não beneficiava de maneira exclusiva nenhuma das equipes.  A minha equipe foi a vermelha. Tinha alguns dos meninos do futebol, mas a maioria eu não conhecia. As meninas da minha equipe se espantavam quando perguntavam o que eu ensinava. diziam:
- Nem parece!


E eu dizia:

- E como uma professora de Educação Física é pra ser?
Ela apenas sorriam e diziam que gostavam do meu jeito de ser.
As provas começaram, a equipe amarela saiu na frente das outras. Mas havia pontos para a equipe mais comportada também. Fiz um combinado com minha equipe. Toda vez que eu gritasse, "Eu sou, eu sou, eu sou?", eles tinham que me responder bem alto, "Vermelho!" e tinham que ficar calados. A idéia funcionou. Sempre que a organização pedia silencio ou comportamento, minha equipe sempre era a primeira a se comportar. No final da gincana, os jurados relataram que ficaram impressionados como a equipe vermelha se comportou sem ter educador organizando. Aí eu fui até eles e me apresentei. Eles riram muito, pois como sou jovem, pequena de estatura e estava vestida e brincando como as crianças e os adolescentes, eles acreditavam que eu era uma das adolescentes da comunidade. Corrigido o equivoco, mesmo assim minha equipe ganhou os pontos de comportamento. Foram esses pontos que nos fizeram ultrapassar a equipe amarela e vencer a competição.
Foi uma alegria tamanha! Como se essa vitória da competição lhes desse identidade. Finalmente haviam vencido em algo que para eles tinha um significado incomparável! Eles venceram no que eles mais gostavam de fazer, no que lhes dava mais prazer! Eles venceram brincando! Uma das crianças do futebol chegou até mim e fez, "Professora, viu aí??? Essa é a primeira de muitas medalhas que vou trazer para a senhora".
Eu estava com o coração na mão. Amava o projeto e tudo aquilo! Mas algo me dizia que minha fase ali já tinha passado. Era a vez de um novo educador sofrer transformações e as realizar simultaneamente para sua melhor formação. Eu sentia que precisava me preparar e me capacitar mais e mais em minha área para alcançar novas transformações sociais e para isso, eu precisava abrir mão temporariamente de todo esse mundo novo que havia me conquistado desde o início. Conversei muito com Deus e Ele me mostrava cada vez mais, novos planos para mim. Muito do que aprendi percorrendo o Caminhos do Sol, nunca poderia ter aprendido na universidade. Mas sem os conhecimentos da universidade, nunca teria chegado até lá e atuado com bases metodológicas que se demonstraram tão eficientes. E muito menos, poderia ter vivido como vivi, sem minhas experiencias próprias de vida. (...)

Caminhos do Sol - 4

Algumas modificações aconteciam para se adequar as necessidades da comunidade e do projeto. Dificuldades financeiras de apoio a OnG iam e voltavam. Nossas orações em grupo se mantinham fortes. Muitas famílias dos educadores da própria comunidade dependiam do projeto. Mas até onde eu sabia, as atividades de capoeira e de futebol de areia pareciam só crescer. Um dia quando cheguei mais cedo no projeto para limpar os materiais, a diretora do espaço para atividades para menores, me perguntou como eu tinha coragem de enfrentar tantos alunos num sol quente daquele. Eu parei, demorei pra responder e enquanto pensava ela concluía. "Às vezes da até pena te ver de longe sozinha nessa sol quente no meio de tanta criança, você é muito corajosa". Eu ainda pensativa falei despojadamente:
 - Eu nem sei. Acho que vejo tudo isso com outros olhos. Deus não me permite ver os desafios ruins. - Com cara de quem ainda pensava se tava falando a resposta ideal, conclui.- Eu os vejo sozinhos no meio de um campo de futebol apenas comigo e Deus, acho que é isso que me faz ter vontade de fazer algo por eles e por mim.
Ela sorriu  e ficou me encorajando a não esquecer de usar o boné. Quando cheguei no estabelecimento do projeto mesmo, a diretora chamou todos os educadores pra ensinar a música do projeto. E para meu espanto conjunto a minha alegria, trechos diziam assim,
"Se os meus olhos forem bons
Todo corpo será luz
Toda Terra se iluminará
Com seus povos e seus dons
Toda vida que reluz
Toda guerra então cessará".
Não estou querendo dizer que meus olhos e meus olhares eram melhores que os da diretora. Nada disso. Apenas que minha vontade de fazer uma diferença positiva me faziam ver apenas os pontos que minha fé queria e isso me auxiliava a não ver os medos. Quando entrei no projeto, não parei pra pensar se estava no caminho certo. De alguma forma, senti que estava e pronto. Senti medo de fracassar quando meu pai disse que eu ainda estava pouco capacitada por ainda está na universidade, mas minha vontade de viver tudo isso aliada a amigos que confiavam no meu potencial mais do que eu mesma, arrisquei e ganhei experiencia incomparavelmente maravilhosas e engrandecedoras pra sempre!
Chegou um período que precisei passar uma semana numa competição e assim, dois professores me substituíram. Quando voltei, a surpresa foi imensa em escutar dos meus amigos que iriam endoidar se eu demorasse um pouco mais e enfatizando que não era nada fácil controlar os participantes. Quando cheguei na aula, os comentários de reclamações quanto aos professores foi maior ainda. Percebi que o caráter deles havia mudado, pois não insultavam os professores, e construíam comentários críticos para defender suas opiniões quanto as suas reclamações. Foi uma experiência saudável para discutirmos dependência afetiva, ética profissional e importância do papel de um verdadeiro profissional da área de educação física ali. Eles pararam de criar comentários ofensivos quanto a área de educação física e um, um dos mais tímidos, veio me contar que havia tomado a decisão de fazer vestibular para Educação Física. (...)

Caminhos do Sol - 3

As necessidades deles eram variadas. Alguns precisavam só de um espaço para descontrair, alguns por amar jogar bola, outros precisavam de um espaço pra fugir de casa e das dificuldades lá encontradas. E alguns, iam por lá, a procura de atenção ou de comida. Com alguns meses de trabalho já conquistados e com as desconfianças sobre minha atuação desfeitas, comecei a ser convidada a ajudar em outros projetos e atividades e assim, conheci mais e mais dos meus alunos e de suas famílias e, principalmente, conheci mais do meu Deus maravilhoso. Algumas vezes, eu chegava com meus pequenos problemas de adulta iniciante como enfrentar os desafios de vida acadêmica universitária, vencer preguiça e receios pessoais, ganhar liberdade de chegar a noite em casa e sair pra onde eu quiser, aprender a organizar minha vida financeira e por aí vai... Aí, todas as segundas, tínhamos encontros devocionais com toda a equipe e com a presença de alguns palestrantes convidados. Meu Deus! Como eu me sentia ridícula diante das minhas preocupações! Como minha realidade era muito boa diante de tantas outras citadas! Como minhas atitudes eram ingênuas diante de um mundo que eu não sabia que existia de verdade! Deus me convidada a conhecer o mundo que eu estava pra saber me defender e valorizar a cada instante a vida que Ele me permitiu ter para através do poder Dele atuar ajudando outras vidas.
Quem não era da comunidade e sabia do meu trabalho, me questionava se eu não tinha medo. Eu respondia que não. E sinceramente, de todo meu coração, nunca tive medo. Não estou falando pra dizer que sou corajosa e não tenho medo de nada. Claro que não! Tenho muitos medos sim! E não sei explicar como o possível medo que eu deveria sentir não existia. Apenas confiava que essa coragem inexplicável que eu tinha era fruto do amor do meu Deus.
Ganhamos um campo de areia dentro de uma unidade de apoio ao menor. Foi um presentão! Pude controlar a entrada e saída dos participantes das oficinas e assegurar um lugar protegido para as práticas e para a hora do lanche. Fiz carteirinhas de identificação e conseguimos mais materiais que podiam ser guardados lá mesmo. Assim, acabaram-se os meses de carregar garrafões e materiais, fazendo com que as aulas se iniciassem mais cedo e tivéssemos mais momentos proveitosos. Como a utilização de vocabulários desrespeitosos estava muito constante, aderi a regra de que durante os jogos, quem insultassem o colega ou agredisse fisicamente, dava o direito de uma cobrança de pênalti para a equipe adversária e um cartão amarelo. E se ocorresse fora de um momento de jogo, recebia o cartão mesmo assim. Acúmulos de cartões levariam a punições como expulsão do jogo e da oficina, temporariamente, ou dependendo do nível da agressão, definitivamente. Os resultados foram muito positivos! A diminuição de palavrões ocorreu de forma significativa, os pedidos de desculpas e até de advertência entre os próprios colegas quanto a manterem o respeito foram aplicados. Além de discussões abertas e divertidas sobre o que é palavrão e porque usá-los. Como meus grupos de alunos eram consideravelmente grandes, com cerca de no máximo 30 alunos por turma, eu não conseguia ouvir todos ao mesmo tempo. Situações conflitosas sobre um ou outro ter falado palavrão e eu não ter ouvido, geravam rodas de conversa sobre integridade física e moral, sinceridade e respeito com o outro. Com 8 meses de atuação nos caminhos do sol, percebi que os adolescentes já não apareciam mais nem drogados nem bêbados em minhas práticas, que muitas conversas e palavras eram evitadas em respeito a minha presença,a presença das crianças,das meninas e ao local educacional como um todo. Um laço de amizade e fraternidade estava sendo formado sem eles perceberem. Tanto as crianças como os adolescentes me tratavam como tratam seus amigos queridos ou familiares queridos, demonstravam carinho e queriam me contar de seus dias e seus feitos, queriam saber de mim e das minhas opiniões sobre tudo. Eu me senti ainda mais comprometida com a responsabilidade da minha atuação e ao mesmo tempo, mais amada. As rodas de conversa com Deus eram cada vez mais cobradas por eles, diferente do inicio que as achavam chatas e desnecessárias e não se abriam, e começaram a fazer pedidos e comentários. Eu permitia as brincadeiras que algumas vezes até auxiliavam na quebra da vergonha em se expressar. E a felicidade deles em me ver estava além dos meus sentimentos profissionais. Eu era mulher, branquinha, de classe média- alta, vinda de uma realidade onde os problemas eram mais disfarçados e utilizando linguagens diferentes. Pra quem vê de fora, esses pontos deveriam ter me feito vacilar em minha atuação, não? Pois acho que foram os pontos que mais me estimularam. Agradeço a confiança e oportunidade que muitos dos meus colegas de trabalho me concederam. Eu já me sentia da comunidade, peguei carinho até pelo ônibus que me levava até o projeto e me orgulhava por ter conseguido este espaço com a benção de Deus. Realizamos passeios na praia e o comportamento foi exemplar de uma forma significativamente maravilhosa. Eles eram crianças sendo crianças e adolescentes sendo adolescentes, o que nos seus cotidianos as cobranças da vida não permitiam-lhes ser. (...)



Caminhos do Sol - 2

Eu soube desta vaga através do meu amigo e professor de capoeira que também me deu total apoio em toda a minha caminhada pelo Caminhos do Sol. As crianças eram as mais empolgadas, mais presentes e pontuais. Apesar de muitas demonstrarem ter uma vida difícil e que muitas vezes cobrava delas uma posição de adulto trabalhando e cuidando dos irmãos mais novos, na quadra elas pareciam esquecer disso e se tornavam também, mais carinhosas e comunicativas. Inicialmente, as oficinas aconteciam na quadra aberta da comunidade, realizavamos uma "boa" caminhada da instituição até lá e era preciso levar garrafões de água, copos, coletes, bolas, cones e todos os materiais necessários. Mas os participantes sempre me ajudavam a carregar. O controle da entrada e da saída da quadra era praticamente impossível. Mas a comunidade como um todo demonstrou respeito e valorização pelo projeto. Sempre iniciava minhas aulas com um momento devocional como era de costume da OnG e eu tanto amava. Um momento intimo com Deus antes das atividades sempre se demonstrou fundamental para aumentar o clima de sociabilidade, trabalho em grupo e descontração. Além de me possibilitar conhecê-los melhor a cada encontro. Depois, fazia meu aquecimento, alongamento, atividades pré-esportivas ou já técnicas, físicas ou táticas e por fim, realizávamos um momento de lanche no pátil da instituição.Os adolescentes tomavam atitudes diversas. Existia aqueles tímidos que esperavam ser convidados pra entrar nas atividades, aqueles que se sentiam donos da área e nem pediam licença e queriam sempre mandar, aqueles que queriam me agradar pra ganhar tratamento especial e aqueles que estavam alí porque viram a quadra aberta e deu vontade de jogar bola. As namoradas dos adolescentes ficavam sabendo da nova treinadora e vinham assistir ao treino como se aparecessem só para marcar território, para demonstrar suas posses e "quem mandava na área". Eu realmente só percebi essas linguagens corporais depois que as conquistei. Sou uma apaixonada por futebol e gosto de interagir com meus alunos. Elas, assim entendi, ao me ver brincando com a bola, fazendo firulas e às vezes, até jogando com os meninos, sentiram vontade de participar e me convidaram a montar um time feminino. Eu me senti inteiramente feliz! Havia quebrado naquelas meninas e naqueles meninos a visão de que futebol só é para homens, os possibilitado momentos de lazer e fulga de suas vidas adultas tão precocimente alcançadas e estava levando momentos com Deus para eles. Cada dia que nao tinha o projeto, eu era questionada pelos motivos por olhinhos desanimados pela noticia. Isso me fazia ver o quanto era agradável para eles ter este espaço. Eu era muito questionada sobre ser casada, ter filhos, idade, namoro... E percebi que também consegui trabalhar com eles discussões críticas sobre a diferença de gênero e sexualidade. Alguns pais vinham até o projeto se certificar se o que suas filhas diziam era verdade. Se era mesmo uma mulher que estava ensinando futebol. E a permanência destas em minhas aulas só tornava o meu trabalho mais gratificante.
A realidade não era o monstro que todos de fora daquela comunidade criavam. Conheci pessoas maravilhosas, de corações lindos e valentes apesar de machucados, pessoas de fé, amantes do nosso Senhor Deus e batalhadoras. Visitei muitas famílias para fazer renovação dos dados dos participantes das oficinas e pude conhecer um pouco mais de suas condições. Eram de classe média a baixa. Situações pessoais complicadas familiarmente. Mas nunca levei uma "porta na cara". Sempre fui recebida com carinho e admiração. Era como se fosse uma pequena forma de agradecer o bem que a OnG como toda trazia para suas famílias. Mas também não era uma comunidade com muita visibilidade politica trabalhada. Demorei um pouco pra identificar muitos pontos que precisavam de mudanças por nunca ter tido vivencia com tais pontos. As drogas, a violência, a gravidez precoce e muitos outros pontos negativos se tornaram fáceis de eu identificar depois de um período maior por lá. Jovens apareciam com olhos vermelhos, às vezes bêbados ou muito irritados e com atitudes desrespeitosas. Meninas de 14 anos com suspeitas de gravidez ou mesmo anorexia pelo contato com as drogas. Crianças que eram desligadas do projeto porque precisavam trabalhar ou ajudar os pais em casa, ou porque tinham perdido algum ente querido ou por separação dos pais e muitos outros pontos. A presença de Deus ali estava sendo necessária cada vez mais e mais e projetos como este estavam sempre surgindo, mas algumas vezes desaparecendo por falta de apoio financeiro e visibilidade social.
Apesar de saber da importância das vivências em campeonatos, meu foco era mais educacional. Era algo que estava gritante ali: educação! Em todos os sentidos e espaços que a educação pode chegar. Percebi que o público era mais de pele negra e por eu ser branquinha, olhares iniciais de desconfiança também eram lançados. Fui convidada a atuar num campeonato de futebol de areia da comunidade. Alguns jogos sofreram mudanças de data por motivo de conflitos entre traficantes. E apesar de ter me empolgado com a participação de muitos jogadores animados, raçudos e determinados a jogar. Vi atuações magnificas de um futebol bonito, onde sem perceberem, os jogadores demonstrando muitos significados em suas práticas. Os times eram todos da comunidade local e comunidades vizinhas. Existia técnicos e torcidas presente! Foi uma mobilização social organizada por uma das educadoras sociais da OnG que eu admiro muito e que me ajudou a crescer mais ainda como pessoas e profissional. Também vi em muitos jogos, alguns expectadores bem magros e sujos cheirando cola ou bêbados. Canteiros repletos de lixo e descuidos. O que após o campeonato desapareceu. Essas pessoas foram convidadas a assistir aos jogos de maneira participativa com comentários, mas se desligando de seus objetos de consumo e essas áreas foram ecologicamente recuperadas.
Em um dos jogos da semi- final passei por uma situação engraçada. Numa de minhas aulas, uma das crianças se chateou porque marquei uma falta contra o time dela e veio gritando que eu não sabia apitar. Eu ofereci o apito para ele me ensinar. Ele respondeu que sabia apitar melhor que eu mas queria jogar. Respondi que se eu não sabia apitar, o jogo só poderia reiniciar quando ele me ensinasse. Ele, ainda de forma agressiva, disse que mulher não entendia mesmo de futebol. Eu me chateei com o comentário e falei que ele só voltaria para o jogo se me ensinasse a apitar dentro das regras certas, pois eu sou árbitra oficial de futsal pela federção norte-riograndense e achei que conhecia todas as regras ou se ele pedisse desculpas assumindo que ele fez a falta. Ele se negava a fazer uma das opções, implorando pra voltar para o jogo, mas não deixei. Quando cheguei nessa semi-final, marquei um penalti que foi muito discutido pelo público, mas que fora a torcida adversaria, mesarios e o público em geral concordaram que o penalti aconteceu. Antes do jogo terminar, essa mesma criança que estava assistindo ao jogo, se aproximou de mim e disse:
- Professora?
- Oi? - falei sem perder o foco no jogo.
- É porque - começou a falar meio envergonhado e com a cabeça baixa - eu queria pedir desculpas por aquele dia que eu gritei com a senhora. Eu estava de cabeça quente e não queria perder o jogo. Mas, a senhora apita muito bem.
Não tive como conter o sorriso, virei para ele e disse apenas:
- Obrigada. Estou orgulhosa por sua sinceridade.
Ele sorriu e saiu correndo para continuar a torcer pelo jogo.
Durante o campeonato, também coloquei os meus alunos para participar. E apesar de não terem alcançado grandes resultados na competição, se demonstraram mais empolgados ainda para vencerem as próximas que surgissem. Outras competições que aconteciam na comunidade e eu não sabia por serem realizados em datas que eu não podia comparecer, eles se inscreviam e voltavam sempre muito empolgados para me contar de suas participações. Em uma delas, as crianças alcançaram o segundo lugar e uma delas veio me dizer:
- Professora, eu queria ganhar em primeiro lugar pra trazer o troféu pra senhora. Mas tá bom o segundo lugar né?
Eu sempre reforçava a opinião de que quem jogava limpo e dava o seu melhor esforço, sempre já era vitorioso. Que cada vez mais que praticassem o esporte, mais se aperfeiçoariam pra novas vitórias. Mas, na verdade, o que eu queria que eles soubessem é que a escolha deles em está jogando em vez de entrando em mundos negativos, já era a maior vitória para a vida deles e o meu maior orgulho. (...)

Caminhos do Sol - 1

Quando não somos nada, podemos ser tudo o que quisermos!


Quando eu percebi que estava ficando mais velhinha e queria ser só criança, demorei um pouco, mas descobri que posso ser criança pra sempre. Só que além de ser criança, também descobri que todos temos missões neste mundo.



Tirei um dia pra olhar pro mar... Sentindo meus pés na areia e aquela imensidão de obras divinas na minha frente e por todos os lados, desejei ser viajante... quem sabe marinheira ou bióloga marinha, pois amo estudar Biologia e amo animais. Fugir desse mundo humano tão perturbador também seria muito bom. Mas, apesar de querer desbravar as belezas que Deus nos deu, em meu íntimo sempre tive muita vontade de viver para ajudar aos outros. Não sabia como, me sentia incapaz de atuar bem nas áreas que meus pais queriam que eu seguisse. Eram áreas lindas, mas que eles queriam por conta financeira e eu não queria por conta de não me sentir capaz de amar praticá-las e de seguir tais áreas. Queria então, fazer algo que estivesse ligado a esporte porque uma das minhas maiores paixões de vida é praticar esporte, mas não nasci com o dom de ser atleta profissional. Então, o que seguir?



E eu me questionava dia após dia, "vou fazer um curso que me dê dinheiro ou que me dê vontade de trabalhar?". Medicina, Administração, Direito, Enfermagem, Biologia ou Educação Física?



Contra a vontade dos meus país e de familiares, descartei as opções que eles haviam me proposto. Restava-me os caminhos do mar ou os caminhos da terra... Se eu escolhesse o mar, talvez eu fosse muito feliz, mas não conseguir vencer o receio de ficar longe dos meus familiares por agora. Foi aí que resolvi fazer o vestibular pra Educação Física e consegui ingressar com muito entusiasmo. Ainda estava insegura, mais por não saber como ajudar os outros nesta área do que pela questão financeira. Com o passar do tempo, para a minha alegria, me senti no curso certo! É claro que ainda existe muitos defeitos quanto ao corpo docente da universidade que estudo e quanto as disciplinas selecionadas por esta como realmente essenciais. Mas eu sinto que cresci muito como pessoa e profissional dentro desta área. É muito gratificante sentir o respeito que hoje possuo e saber que foi fruto da minha fé no Senhor Jesus em abençoar meus passos. Ainda estou no inicio da caminhada. Muitas obras e desafios me esperam, mas apesar de alguns obstáculos, só tenho motivos a glorificar o meu Deus por me ter feito para uma área tão linda. E por mais que eu não entenda tudo ainda, já percebi que tudo está interligado entre quem sou como pessoa e como profissional. Ainda tenho muito e sempre que evoluir nessa estrada. Mas... Não estou onde estou por acaso e amém por tudo isso! A Educação Física tem uma história de muitas lutas e preconceitos. Mas hoje, apesar de ainda ser pouco valorizada quanto sua função educacional, ela já é uma área que abraça muitos âmbitos sociais e que trabalha com diversos objetivos. Eu faço licenciatura e por isso, a escola é o meu local de trabalho mais adequado. Mas me descobri atuando numa OnG. Sendo educadora física de um projeto social de Futebol de areia num dos bairros considerados mais carentes da cidade de Natal- RN. Quando recebi a proposta, corri ao encontro da diretora assim que pude. Fui muito questionada por conhecidos pelo fato de ser num local como já descrevi e por ser com um esporte que culturalmente é considerado masculino. Mas eu conversei com meu Deus, pedi renovação na minha vida e experiencia profissional e três dias depois essa proposta surgiu! Não acredito em coincidências. Amo futebol e defendo a opinião de que esporte não tem gênero. Ao conhecer a diretora, ela me achou jovem e a cada palavra que eu dizia, ela parecia está impressionadamente entusiasmada por eu está ali. Alguns homens já tinham procurado pela vaga, mas ela achou super interessante colocar uma mulher na vaga, pois estava no mês de Maio e estavam discutindo sobre a mulher, seus direitos e deveres. Ela me falou, "Seja bem vinda! Acredito que todos que estão aqui estão por algum propósito de Deus. Se Ele te mandou até aqui, espero que você cumpra com amor o que Ele te propôs". Na hora, eu segurei a lágrima e agradeci a oportunidade. Porque eu já tinha atuado como atleta de vários esportes e auxiliar de treinador de futsal feminino, mas este era oficialmente meu primeiro trabalho e as palavras dela responderam as minhas perguntas sobre como ajudar aos outros trabalhando com esta área. E como eu cresci, Meu Deus!! Como foi divino e maravilhoso! Eu não disse que foi fácil, mas foi sim maravilhoso!!

Algumas semanas depois de ter começado a trabalhar, parei pra refletir e fiquei impressionada comigo mesma. Confesso que tenho minha auto- estima baixa e que muitas vezes eu mesma não acredito no potencial que posso ter. Mas, quando fiquei sabendo da vaga, não parei pra pensar em medos ou possibilidades de fracar. Eu só pensei, "Como meu Deus é lindo!". Eu só pensava em dar o meu máximo. Primeiro, sentir-me desafiada a provar que mulher também tem espaço na Educação Física. Como já tive muitas batalhas no espaço esportivo, toda essa nova batalha só me estimulou mais ainda. Depois, senti o desafio de enfrentar os olhares de milhares de jovens e crianças quanto a minha atuação. Alguns companheiros de trabalho demonstraram desconfiança quanto ao meu potencial. Não vi como maldade, mas como cuidado da parte deles comigo. Eles diziam que inicialmente eu deveria sofrer algumas rejeições por conta da falta que o outro professor devia estar causando, que eu deveria estar preparada caso não aparecesse participantes nas primeiras oficinas. Mas para a nossa surpresa, a oficina lotou e a cada dia aparecia novas crianças querendo participar. Os próprios participantes queriam colocar seus irmãos, primos e amigos. E a melhor novidade de todas, um grupo de meninas apareceu pra treinar! (...) 

NeM sEmPrE...

Nem sempre o óbvio é tão óbvio quanto a gente pensa que é".
(FREIRE, 1983)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Contos da borboletinha – o início

       Morávamos num jardim maravilhoso! Eu era uma lagartinha muito inocente e acreditava que aquele pequeno jardim era o mundo todo! Morávamos eu, meus pais e minha irmã Borboliana. Minha irmã era mais velha que eu e já havia se tornado uma linda borboleta. Na verdade, a mais linda de todo aquele jardim! Eu ficava admirando-a a voar entre as flores! Suas asas tão coloridas, seu sorriso contagiante... Tudo o que eu queria era viver logo aquela experiência linda de voar! Iria fazer novas amizades, conhecer diversos perfumes e experimentar muitos sabores e cores! Mas, mesmo sem poder voar ainda, eu era feliz porque eu vivia num lugar ótimo para jogar bola e se rastejar e amava meus amiguinhos. Sempre organizava as brincadeiras com a minha turminha. A primavera sempre era muito linda e o Outono me permitia passear por terras macias e úmidas. Eu podia percorrer livremente por todos os lugares e todos me conheciam e cuidavam de mim. Até que um dia meu pai resolveu se mudar. O inverso se aproximara. O radio avisava que as tempestades estavam chegando em nosso jardim e essa temporada não seria fácil. Se continuássemos ali, faltaria comida e lugar para viver. Eu estava com medo. Não queria sair do meu mundinho lindo. Mas papai falou que era pro nosso bem e segurou-me firme. Estava na hora de partir.
-
      Carregada pelo meu papai e com mamãe e a Borboliana voando a nossa volta, voamos dias por diversos lugares desconhecidos e fugindo de predadores. Eu era proibida de falar com qualquer estranho quando parávamos pra comer ou dormir. Não agüentava mais ficar sendo carregada de um lado pro outro. Era muito ruim depender de um deles pra seguir viagem. E quando eu via algo legal, não podia nem me aproximar. Até que chegamos num novo jardim. Papai me deixou com mamãe enquanto falava com o sindico do jardim. Eu aproveitei pra observar o pouco que dava pra ver Dalí, das asas da minha mãe, sem poder sair. O lugar era muito barulhento. Tinha insetos que me davam medo e algumas partes do chão estavam muito sujas. Eu não queria ficar ali, mas meus pais falaram que por enquanto era o que tínhamos. Que não agüentavam mais viajar e eu já já precisaria repousar por um período com segurança. Questionei nossa decisão de ficar ali porque achei o lugar inseguro e em troca, ganhei a proibição de sair de casa sem eles.
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     O inverno chegou por lá também, mas bem tranquilo e meus pais me colocaram numa escolinha perto de nossa casa. Eu não queria fazer novos amigos. Queria os meus amigos antigos. Isolei-me e reclamava muito de ter que ir rastejando pela terra suja daquele lugar. Mas com o passar do tempo, conheci as joaninhas jojo e lilo e o labradorzinho na escola que tiveram muita paciência com minhas chatices e sempre mostravam gostar da minha presença. E entrei no time de futebol feminino do jardim. Eles me convidaram pra brincar e sempre me ajudavam a passear pelos lugares que eu não suportava rastejar. Descobri que eles eram sim muito legais e comecei a pensar que talvez eu pudesse gostar Dalí. Mas meus pais me proibiam de ir muito longe, de falar com adultos estranhos e de chegar a noite em casa. Eu me sentia muito presa. E os meus amigos, apesar de super legais, não podiam sempre me visitar e tinham outros amigos pra dar atenção. Comecei a me sentir muito só. Até que um dia o baratoboy, uma barata macho que se apaixonou por mim, falou que para ele não importava se eu era feia e pequenininha. Eu falei que era muito criança pra me apaixonar e ele me chamou de mola de caneta gosmenta e que eu nunca arranjaria algo melhor que ele. Pela primeira vez, parei na frente de um orvalho e procurei ver minha imagem. Eu nunca tinha me preocupado com isso. Sempre fui tão amada por meus papais que nunca pensei que eu pudesse ser feia. E... “Nossa! Eu sou muito feia!”. Desde então, eu evitava olhar pra mim. Gostava de andar e andar sem motivos. Meus amigos começaram a crescer e ficavam cada vez mais lindos. A Lilo que eu considero um anjinho que cuidou de mim nessa fase, crescera, estava seguindo seu sonho de ser jornalista e tinha feito novas amizades. A jojo que era minha melhor amiga vinha me visitar de vez enquanto, mas agora estudava em outra escola, se apegou as novas amizades. O labradorzinho era um fofo e passou um tempo muito apegado a mim, mas depois chegou avisando que precisava partir. E se foi. Eu comecei a me excluir de todos os amigos criando autoproteções e limites de apego, eles nem percebiam. Estava cansada de tantas despedidas, de ver todo mundo mudando por fora e eu ainda a mesma pequena e feia. Achava-me estranha, fraca, incapaz de realizar grandes coisas e de ser amada.
-

    De repente, um dia mais frio inundou meu corpo de arrepios e eu saí de casa procurando algumas folhas pra me cobrir. Meus pais se orgulharam muito do que estavam vendo. O meu momento tinha chegado!

Chuva, chuvisco ou temporal?

‎Nunca encontro meu guarda-chuva.

Não tenho capa de proteção.






"Aos olhos nus, não passava de um chuva repentina, mas aqui dentro soava como uma tempestade."
Clarice Lispector



Borboleta


- Borboleta! (texto escrito em 2010)



Eu disse a minha mãe que eu queria ser uma borboleta. Ela sorriu docemente e me falou que eu era mais parecida com uma flor.

- Eu não quero ser uma flor, mamãe. Elas só ficam paradas... Não voam.
- Você tem um perfume suave e encantador, querida. Ele pode ser sentido facilmente. Mas temos que chegar pertinho e com cuidado para sentí-lo na fragrância mais verdadeira. E suas pétalas são muito sensíveis e merecem atenção. Você será uma florzinha aberta e bonita! Apesar de pequenina, chama uma atenção singular, pois todo beija-flor que passa tem sua flor preferida, mas todos gostam de seu perfume de maneira a admirá-la por tal essência interior. - disse ela.
- Mas todo mundo maltrata, usa e depois esquece do valor das florzinhas... Fazendo as coitadinhas morrerem. E elas nem podem fugir voando pra se proteger... Posso ser um beija-flor então?
- Você é delicada e cuidadosa com todos ao seu redor. Seus movimentos são tácitos que mal são notados. Não é o pendúnculo que a segura. Se não você já estaria no chão. Você está sempre a flutuar! As coisas vindas com o vento batem e empurram, além dos furinhos que você tem, marcas de beija-flores que já se foram... Mas no ar, você é macia, agradável! Só que não posso esconder que tem um suporte que te prende ao chão...
- Eu sabia! Por isso que eu gosto das abelhas. Posso ser uma? Elas são amarelinhas como eu, doces por causa do mel e eficientes em seu trabalho, posso aprender muito com elas! E elas podem voar!
- Mas elas não têm um suporte muito bom...- Mamãe me olhou como se esperasse que eu questionasse quanto a esse suspeito suporte e eu...
- Se eu perguntar que suporte a senhora tanto fala, eu posso escolher o que vou ser?
-Pode sim. Aliás, essa escolha é somente sua. Eu apenas estou tentando mostrar como você seria uma boa flor... O suporte se chama familia. São as flores que estão ao seu redor. Todos nós temos famílias. As que Deus presenteou em nossas vidas e as que os nossos corações escolheram para conviver com a gente. Uma família é o melhor suporte que qualquer flor pode ter. Nem chuva, nem sol, nem ventania... nada a derruba se você tiver em quem se apoiar. Só queria você como flor para eu poder guardá-la sempre em meu jardim. As abelhas tem suas supervisoras de trabalho, são estressadas e apesar de cuidarem de suas lavas, não demonstram muito afeto. Os beija-flores são aves lindas! Dignas de admiração! Mas buscam bastante a liberdade e apesar de formarem ninhos, são suspeitos a abandoná-los. E as borboletas, guerreiras! Elas nascem na vida sofrida, arrastando-se como lagartas até criarem forças e se desenvolverem. Não é a questão de voar que as tornam seguras ou protegidas, é a vontade de continuar a viver que as rege...
-Eu não sei, mamãe. Não sei mais o que quero ser... E acho que não estou preparada para decidir isso. Posso deixar para amanhã?
- Só não esqueça que você é uma pecinha chave do reino de Deus. E todos tem importância nesse mundo. Por isso, sua escolha deve ser feita com o coração, sabendo que o caminho pra alcançar seus objetivos não é fácil para ninguém. Nem para os que sabem voar! O segredo está em acreditar no que quer e lutar por isso. Não se chega ao final da montanha só erguendo a cabeça em sua direção, muita escalada e confiança são necessárias e muitas vezes aprendemos e descobrimos grandes riquezas no meio do caminho.
O amanhã chegou. Eu falei que era uma guerreira. Ela entendeu tudo, disse que o caminho era meu, mas o suporte sempre estaria alí, até para os que voam. Pois o amor ultrapassa o céu e a terra.
Ela me deu um casulo de presente... E mais amanhãs chegaram.
Hoje, já vejo minhas asas... Como são coloridas! Que sensação! Eu tenho uma história cheia de emoção, superação e aventura. Alguns sinais de fraqueza ficaram, mas minha elegância consegue esconder tudo isso. Mal posso esperar para voar! Já estou procurando no horizonte quais flores vou visitar.
Estou preparada. Nunca saberei se em minhas outras opções eu me sairia melhor. Mas de uma coisa eu tenho certeza. De todos os cantos que eu andar, sei que em nenhum outro jardim vou estar mais perfumada que no colo da minha mãe.