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domingo, 2 de junho de 2013

Caminhos do Sol - 4

Algumas modificações aconteciam para se adequar as necessidades da comunidade e do projeto. Dificuldades financeiras de apoio a OnG iam e voltavam. Nossas orações em grupo se mantinham fortes. Muitas famílias dos educadores da própria comunidade dependiam do projeto. Mas até onde eu sabia, as atividades de capoeira e de futebol de areia pareciam só crescer. Um dia quando cheguei mais cedo no projeto para limpar os materiais, a diretora do espaço para atividades para menores, me perguntou como eu tinha coragem de enfrentar tantos alunos num sol quente daquele. Eu parei, demorei pra responder e enquanto pensava ela concluía. "Às vezes da até pena te ver de longe sozinha nessa sol quente no meio de tanta criança, você é muito corajosa". Eu ainda pensativa falei despojadamente:
 - Eu nem sei. Acho que vejo tudo isso com outros olhos. Deus não me permite ver os desafios ruins. - Com cara de quem ainda pensava se tava falando a resposta ideal, conclui.- Eu os vejo sozinhos no meio de um campo de futebol apenas comigo e Deus, acho que é isso que me faz ter vontade de fazer algo por eles e por mim.
Ela sorriu  e ficou me encorajando a não esquecer de usar o boné. Quando cheguei no estabelecimento do projeto mesmo, a diretora chamou todos os educadores pra ensinar a música do projeto. E para meu espanto conjunto a minha alegria, trechos diziam assim,
"Se os meus olhos forem bons
Todo corpo será luz
Toda Terra se iluminará
Com seus povos e seus dons
Toda vida que reluz
Toda guerra então cessará".
Não estou querendo dizer que meus olhos e meus olhares eram melhores que os da diretora. Nada disso. Apenas que minha vontade de fazer uma diferença positiva me faziam ver apenas os pontos que minha fé queria e isso me auxiliava a não ver os medos. Quando entrei no projeto, não parei pra pensar se estava no caminho certo. De alguma forma, senti que estava e pronto. Senti medo de fracassar quando meu pai disse que eu ainda estava pouco capacitada por ainda está na universidade, mas minha vontade de viver tudo isso aliada a amigos que confiavam no meu potencial mais do que eu mesma, arrisquei e ganhei experiencia incomparavelmente maravilhosas e engrandecedoras pra sempre!
Chegou um período que precisei passar uma semana numa competição e assim, dois professores me substituíram. Quando voltei, a surpresa foi imensa em escutar dos meus amigos que iriam endoidar se eu demorasse um pouco mais e enfatizando que não era nada fácil controlar os participantes. Quando cheguei na aula, os comentários de reclamações quanto aos professores foi maior ainda. Percebi que o caráter deles havia mudado, pois não insultavam os professores, e construíam comentários críticos para defender suas opiniões quanto as suas reclamações. Foi uma experiência saudável para discutirmos dependência afetiva, ética profissional e importância do papel de um verdadeiro profissional da área de educação física ali. Eles pararam de criar comentários ofensivos quanto a área de educação física e um, um dos mais tímidos, veio me contar que havia tomado a decisão de fazer vestibular para Educação Física. (...)

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