Quando não somos nada, podemos ser tudo o que quisermos!
Quando eu percebi que estava ficando mais velhinha e queria ser só criança, demorei um pouco, mas descobri que posso ser criança pra sempre. Só que além de ser criança, também descobri que todos temos missões neste mundo.
Tirei um dia pra olhar pro mar... Sentindo meus pés na areia e aquela imensidão de obras divinas na minha frente e por todos os lados, desejei ser viajante... quem sabe marinheira ou bióloga marinha, pois amo estudar Biologia e amo animais. Fugir desse mundo humano tão perturbador também seria muito bom. Mas, apesar de querer desbravar as belezas que Deus nos deu, em meu íntimo sempre tive muita vontade de viver para ajudar aos outros. Não sabia como, me sentia incapaz de atuar bem nas áreas que meus pais queriam que eu seguisse. Eram áreas lindas, mas que eles queriam por conta financeira e eu não queria por conta de não me sentir capaz de amar praticá-las e de seguir tais áreas. Queria então, fazer algo que estivesse ligado a esporte porque uma das minhas maiores paixões de vida é praticar esporte, mas não nasci com o dom de ser atleta profissional. Então, o que seguir?
E eu me questionava dia após dia, "vou fazer um curso que me dê dinheiro ou que me dê vontade de trabalhar?". Medicina, Administração, Direito, Enfermagem, Biologia ou Educação Física?
Contra a vontade dos meus país e de familiares, descartei as opções que eles haviam me proposto. Restava-me os caminhos do mar ou os caminhos da terra... Se eu escolhesse o mar, talvez eu fosse muito feliz, mas não conseguir vencer o receio de ficar longe dos meus familiares por agora. Foi aí que resolvi fazer o vestibular pra Educação Física e consegui ingressar com muito entusiasmo. Ainda estava insegura, mais por não saber como ajudar os outros nesta área do que pela questão financeira. Com o passar do tempo, para a minha alegria, me senti no curso certo! É claro que ainda existe muitos defeitos quanto ao corpo docente da universidade que estudo e quanto as disciplinas selecionadas por esta como realmente essenciais. Mas eu sinto que cresci muito como pessoa e profissional dentro desta área. É muito gratificante sentir o respeito que hoje possuo e saber que foi fruto da minha fé no Senhor Jesus em abençoar meus passos. Ainda estou no inicio da caminhada. Muitas obras e desafios me esperam, mas apesar de alguns obstáculos, só tenho motivos a glorificar o meu Deus por me ter feito para uma área tão linda. E por mais que eu não entenda tudo ainda, já percebi que tudo está interligado entre quem sou como pessoa e como profissional. Ainda tenho muito e sempre que evoluir nessa estrada. Mas... Não estou onde estou por acaso e amém por tudo isso! A Educação Física tem uma história de muitas lutas e preconceitos. Mas hoje, apesar de ainda ser pouco valorizada quanto sua função educacional, ela já é uma área que abraça muitos âmbitos sociais e que trabalha com diversos objetivos. Eu faço licenciatura e por isso, a escola é o meu local de trabalho mais adequado. Mas me descobri atuando numa OnG. Sendo educadora física de um projeto social de Futebol de areia num dos bairros considerados mais carentes da cidade de Natal- RN. Quando recebi a proposta, corri ao encontro da diretora assim que pude. Fui muito questionada por conhecidos pelo fato de ser num local como já descrevi e por ser com um esporte que culturalmente é considerado masculino. Mas eu conversei com meu Deus, pedi renovação na minha vida e experiencia profissional e três dias depois essa proposta surgiu! Não acredito em coincidências. Amo futebol e defendo a opinião de que esporte não tem gênero. Ao conhecer a diretora, ela me achou jovem e a cada palavra que eu dizia, ela parecia está impressionadamente entusiasmada por eu está ali. Alguns homens já tinham procurado pela vaga, mas ela achou super interessante colocar uma mulher na vaga, pois estava no mês de Maio e estavam discutindo sobre a mulher, seus direitos e deveres. Ela me falou, "Seja bem vinda! Acredito que todos que estão aqui estão por algum propósito de Deus. Se Ele te mandou até aqui, espero que você cumpra com amor o que Ele te propôs". Na hora, eu segurei a lágrima e agradeci a oportunidade. Porque eu já tinha atuado como atleta de vários esportes e auxiliar de treinador de futsal feminino, mas este era oficialmente meu primeiro trabalho e as palavras dela responderam as minhas perguntas sobre como ajudar aos outros trabalhando com esta área. E como eu cresci, Meu Deus!! Como foi divino e maravilhoso! Eu não disse que foi fácil, mas foi sim maravilhoso!!
Algumas semanas depois de ter começado a trabalhar, parei pra refletir e fiquei impressionada comigo mesma. Confesso que tenho minha auto- estima baixa e que muitas vezes eu mesma não acredito no potencial que posso ter. Mas, quando fiquei sabendo da vaga, não parei pra pensar em medos ou possibilidades de fracar. Eu só pensei, "Como meu Deus é lindo!". Eu só pensava em dar o meu máximo. Primeiro, sentir-me desafiada a provar que mulher também tem espaço na Educação Física. Como já tive muitas batalhas no espaço esportivo, toda essa nova batalha só me estimulou mais ainda. Depois, senti o desafio de enfrentar os olhares de milhares de jovens e crianças quanto a minha atuação. Alguns companheiros de trabalho demonstraram desconfiança quanto ao meu potencial. Não vi como maldade, mas como cuidado da parte deles comigo. Eles diziam que inicialmente eu deveria sofrer algumas rejeições por conta da falta que o outro professor devia estar causando, que eu deveria estar preparada caso não aparecesse participantes nas primeiras oficinas. Mas para a nossa surpresa, a oficina lotou e a cada dia aparecia novas crianças querendo participar. Os próprios participantes queriam colocar seus irmãos, primos e amigos. E a melhor novidade de todas, um grupo de meninas apareceu pra treinar! (...)

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