Era um domingo e uma das maiores educadoras sociais que já conheci (e olhe que ela ainda nem era formada), resolveu realizar uma gincana na comunidade. Preparamos as provas e discutimos os prêmios e tudo o mais que precisava ser organizado. Mas ela preparou tudo. Arranjou o espaço (a gincana aconteceu numa escola do bairro), o lanche, os materiais para as provas, mobilizou a comunidade divulgando nas escolas e nos projetos, convidou jurados e montou equipes com um educador responsável por cada uma. A distribuição dos participantes nas equipes foi feita de forma aleatória, assim, não beneficiava de maneira exclusiva nenhuma das equipes. A minha equipe foi a vermelha. Tinha alguns dos meninos do futebol, mas a maioria eu não conhecia. As meninas da minha equipe se espantavam quando perguntavam o que eu ensinava. diziam:
- Nem parece!
E eu dizia:
- E como uma professora de Educação Física é pra ser?
Ela apenas sorriam e diziam que gostavam do meu jeito de ser.
As provas começaram, a equipe amarela saiu na frente das outras. Mas havia pontos para a equipe mais comportada também. Fiz um combinado com minha equipe. Toda vez que eu gritasse, "Eu sou, eu sou, eu sou?", eles tinham que me responder bem alto, "Vermelho!" e tinham que ficar calados. A idéia funcionou. Sempre que a organização pedia silencio ou comportamento, minha equipe sempre era a primeira a se comportar. No final da gincana, os jurados relataram que ficaram impressionados como a equipe vermelha se comportou sem ter educador organizando. Aí eu fui até eles e me apresentei. Eles riram muito, pois como sou jovem, pequena de estatura e estava vestida e brincando como as crianças e os adolescentes, eles acreditavam que eu era uma das adolescentes da comunidade. Corrigido o equivoco, mesmo assim minha equipe ganhou os pontos de comportamento. Foram esses pontos que nos fizeram ultrapassar a equipe amarela e vencer a competição.
Foi uma alegria tamanha! Como se essa vitória da competição lhes desse identidade. Finalmente haviam vencido em algo que para eles tinha um significado incomparável! Eles venceram no que eles mais gostavam de fazer, no que lhes dava mais prazer! Eles venceram brincando! Uma das crianças do futebol chegou até mim e fez, "Professora, viu aí??? Essa é a primeira de muitas medalhas que vou trazer para a senhora".
Eu estava com o coração na mão. Amava o projeto e tudo aquilo! Mas algo me dizia que minha fase ali já tinha passado. Era a vez de um novo educador sofrer transformações e as realizar simultaneamente para sua melhor formação. Eu sentia que precisava me preparar e me capacitar mais e mais em minha área para alcançar novas transformações sociais e para isso, eu precisava abrir mão temporariamente de todo esse mundo novo que havia me conquistado desde o início. Conversei muito com Deus e Ele me mostrava cada vez mais, novos planos para mim. Muito do que aprendi percorrendo o Caminhos do Sol, nunca poderia ter aprendido na universidade. Mas sem os conhecimentos da universidade, nunca teria chegado até lá e atuado com bases metodológicas que se demonstraram tão eficientes. E muito menos, poderia ter vivido como vivi, sem minhas experiencias próprias de vida. (...)

Nenhum comentário:
Postar um comentário