Aquele homem na calçada... Lembrava-me alguém.
Quem?
Eu estava voltando do treino de Handbol. Já era quase 17 horas e lá ia eu à parada de ônibus. Atravessei algumas ruas, comprei um biscoito, velha rotina... Sentindo as dores pela baixa da adrenalina... Quando um senhor veio em minha direção. Ele parecia ter uns 60 anos, cabelos grisalhos, pele morena escura, vestindo uma calça jeans azul escura e uma camiseta que não consigo lembrar a cor. Mas seu sorriso, não tenho como esquecer... Era muito belo e cheio de vida!
- A senhorita teria como me ajudar? Sou de Itaú. Estou sem passagem para minha volta. Custa R$ 15,00.
- Quanto o senhor já tem?
- Quer saber mesmo? R$ 10,00.
Logo pela manhã meu pai tinha me dado R$ 10,00 para o almoço. Mas meu dia tinha sido tão corrido que só tive tempo de gastar dinheiro com aquele biscoito. Olhei para o senhor... Se fosse por um motivo que pudesse ser uma quantia menor, mas a necessidade de uma passagem para outra cidade já sendo final do dia me fez entregar R$ 5, 00. E ofereci o biscoito.
Ele recusou educadamente minha “refeição” e pegou o dinheiro. Mas o que me surpreendeu foram suas palavras de despedida:
- Se tivesse algo que eu pudesse fazer para te agradecer...
- Não, tudo bem. o que Deus tem me dado tá bom demais. – respondi meio encabulada.
E ele finalizou falando:
- Fale a sua avó que mandei lembranças. Que ela tem uma ótima neta, dona de um coração lindo! Fale que mesmo nas dificuldades, estou sempre perto dos meus filhos para protegê-los. Que apesar dos que me negam, eu tenho os que me confortam. – E saiu.
Eu comecei a pensar na minha avó...
Dois dias antes.
- Você precisa de alguma coisa, mocinha? – Fui dormir na casa da minha avó.
- Não tia, o que Deus tem me dado tá bom demais. – respondi com a mesma resposta de sempre e um sorriso.
- Então, vá dormir. Amanhã saímos cedo! Boa noite.
- Boa!
Bem, eu não consegui acordar cedo. Fiquei jogando com meu celular até as 3 horas da manhã... Mas minha tia perdoou. Nós tínhamos combinado de ir ao fisioterapeuta com minha avó e de lá seguiríamos às compras. Eu e minha avó voltaríamos para casa antes da minha tia porque já tínhamos combinado com uma amiga da vovó para voltarmos de carona.
Elas foram sem mim.
Após a consulta da minha avó, minha tia foi até o orelhão mais próximo para ligar para mim, falar sobre como ajeitar o almoço... Enquanto isso, minha avó se dirigiu para o ponto de encontro marcado com sua amiga. Eu acordei com o telefone tocando.
Depois do recado dado, minha tia foi para a parada esperar o ônibus e um pouco depois chegou em casa. Mas nada da minha vovó chegar! Almoçamos juntas e aguardamos minha avó. Aguardamos muitas horas...
Às 17 horas minha avó chegou. Suada, cansada e chorando! Falou que a amiga dela não apareceu. E como não tinha um centavo na bolsa e nem celular, não tinha como pedir ajuda a nós.
Ela contou, com lágrimas que não paravam de escorregar de seus olhos, o quanto foi humilhante.
- Às pessoas não param pra te ouvir. Fecham os olhos ou ignoram que você precisa de ajuda! Viram o rosto ou mesmo falta pouco pra passar por cima! Eu estava ali! Mas para elas não parecia...
Meu coração doía tanto! Se eu estivesse ido com ela, nada disso teria acontecido...
- Andei até uma parada. Não me restava outra saída. Pedi ajuda. Na minha idade, com tantas situações vividas, nunca me imaginei a mendigar! E recebi insultos como se fosse um animal! Ganhei centavos. Até que resolvi sentar na calçada e descansar as velhas pernas. Faziam horas! Foi aí que um senhor se aproximou. Ele parecia ter uns 60 anos, cabelos grisalhos, pele morena escura. Tinha um belo sorriso! Perguntou se eu precisava de ajuda. – Ela abriu um sorriso de alivio. – Ai meu Deus! Foi o Senhor que o enviou! Ele abriu a carteira e retirou o que tinha lá. R$ 5,00! Como me senti salva! Até falei que era um pouco demais já que a passagem era apenas R$3,oo.
- Não se preocupe, vou ficar nas casas dos meus filhos esses dias, espero que tudo que já fiz por eles possa merecer uma ‘ajuda’ agora. – gentilmente ele respondeu a minha vovó.
- E assim, consegui voltar! Obrigada Senhor!
- Me desculpa vovó! Me desculpa! Eu sou a pior neta desse mundo! O que eu tava pensando em deixá-la sozinha? – eu não me controlava.
- Ow minha netinha... Nada é sua culpa! Você só tem 12 anos! E além do mais, foi um mal entendido que ocasionou tudo isso... Aposto que minha amiga tem seus motivos e eu aprendi a sempre andar prevenida! Eu já estou melhor. Não se culpe.
- Chorei a noite inteira...
Seria o mesmo homem?
Eu estava voltando do treino de Handbol. Já era quase 17 horas e lá ia eu à parada de ônibus. Atravessei algumas ruas, comprei um biscoito, velha rotina... Sentindo as dores pela baixa da adrenalina... Quando um senhor veio em minha direção. Ele parecia ter uns 60 anos, cabelos grisalhos, pele morena escura, vestindo uma calça jeans azul escura e uma camiseta que não consigo lembrar a cor. Mas seu sorriso, não tenho como esquecer... Era muito belo e cheio de vida!
- A senhorita teria como me ajudar? Sou de Itaú. Estou sem passagem para minha volta. Custa R$ 15,00.
- Quanto o senhor já tem?
- Quer saber mesmo? R$ 10,00.
Logo pela manhã meu pai tinha me dado R$ 10,00 para o almoço. Mas meu dia tinha sido tão corrido que só tive tempo de gastar dinheiro com aquele biscoito. Olhei para o senhor... Se fosse por um motivo que pudesse ser uma quantia menor, mas a necessidade de uma passagem para outra cidade já sendo final do dia me fez entregar R$ 5, 00. E ofereci o biscoito.
Ele recusou educadamente minha “refeição” e pegou o dinheiro. Mas o que me surpreendeu foram suas palavras de despedida:
- Se tivesse algo que eu pudesse fazer para te agradecer...
- Não, tudo bem. o que Deus tem me dado tá bom demais. – respondi meio encabulada.
E ele finalizou falando:
- Fale a sua avó que mandei lembranças. Que ela tem uma ótima neta, dona de um coração lindo! Fale que mesmo nas dificuldades, estou sempre perto dos meus filhos para protegê-los. Que apesar dos que me negam, eu tenho os que me confortam. – E saiu.
Eu comecei a pensar na minha avó...
Dois dias antes.
- Você precisa de alguma coisa, mocinha? – Fui dormir na casa da minha avó.
- Não tia, o que Deus tem me dado tá bom demais. – respondi com a mesma resposta de sempre e um sorriso.
- Então, vá dormir. Amanhã saímos cedo! Boa noite.
- Boa!
Bem, eu não consegui acordar cedo. Fiquei jogando com meu celular até as 3 horas da manhã... Mas minha tia perdoou. Nós tínhamos combinado de ir ao fisioterapeuta com minha avó e de lá seguiríamos às compras. Eu e minha avó voltaríamos para casa antes da minha tia porque já tínhamos combinado com uma amiga da vovó para voltarmos de carona.
Elas foram sem mim.
Após a consulta da minha avó, minha tia foi até o orelhão mais próximo para ligar para mim, falar sobre como ajeitar o almoço... Enquanto isso, minha avó se dirigiu para o ponto de encontro marcado com sua amiga. Eu acordei com o telefone tocando.
Depois do recado dado, minha tia foi para a parada esperar o ônibus e um pouco depois chegou em casa. Mas nada da minha vovó chegar! Almoçamos juntas e aguardamos minha avó. Aguardamos muitas horas...
Às 17 horas minha avó chegou. Suada, cansada e chorando! Falou que a amiga dela não apareceu. E como não tinha um centavo na bolsa e nem celular, não tinha como pedir ajuda a nós.
Ela contou, com lágrimas que não paravam de escorregar de seus olhos, o quanto foi humilhante.
- Às pessoas não param pra te ouvir. Fecham os olhos ou ignoram que você precisa de ajuda! Viram o rosto ou mesmo falta pouco pra passar por cima! Eu estava ali! Mas para elas não parecia...
Meu coração doía tanto! Se eu estivesse ido com ela, nada disso teria acontecido...
- Andei até uma parada. Não me restava outra saída. Pedi ajuda. Na minha idade, com tantas situações vividas, nunca me imaginei a mendigar! E recebi insultos como se fosse um animal! Ganhei centavos. Até que resolvi sentar na calçada e descansar as velhas pernas. Faziam horas! Foi aí que um senhor se aproximou. Ele parecia ter uns 60 anos, cabelos grisalhos, pele morena escura. Tinha um belo sorriso! Perguntou se eu precisava de ajuda. – Ela abriu um sorriso de alivio. – Ai meu Deus! Foi o Senhor que o enviou! Ele abriu a carteira e retirou o que tinha lá. R$ 5,00! Como me senti salva! Até falei que era um pouco demais já que a passagem era apenas R$3,oo.
- Não se preocupe, vou ficar nas casas dos meus filhos esses dias, espero que tudo que já fiz por eles possa merecer uma ‘ajuda’ agora. – gentilmente ele respondeu a minha vovó.
- E assim, consegui voltar! Obrigada Senhor!
- Me desculpa vovó! Me desculpa! Eu sou a pior neta desse mundo! O que eu tava pensando em deixá-la sozinha? – eu não me controlava.
- Ow minha netinha... Nada é sua culpa! Você só tem 12 anos! E além do mais, foi um mal entendido que ocasionou tudo isso... Aposto que minha amiga tem seus motivos e eu aprendi a sempre andar prevenida! Eu já estou melhor. Não se culpe.
- Chorei a noite inteira...
Seria o mesmo homem?
Um comentário:
Sem palavras... Isso foi fantástico ... (Lógico que não tô dizendo que a situação foi legal né, mas sim todo o contexto...) Linda história... Bela lição de vida.
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