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terça-feira, 20 de março de 2012

Mulheres com a bola toda...nos pés ;]

  
Na história, o futebol sempre foi domínio dos homens, mas como tudo vai mudando, a história vem apresentando que há uma nova cultura esportiva que é a participação das mulheres no futebol, ou seja, atualmente podemos dizer que temos uma cultura feminina no futebol. Mesmo com suas diferenças fisiológicas em relação ao homem,  hoje se sabe que a mulher tem MAIS resistência a lesões do que os homens por causa da sua estrutura, tais como “tendinite e distensões musculares”, isto ocorre em virtude a inserção dos músculos no esqueleto e nos ligamentos facilitando uma flexibilidade e elasticidade muito melhor que o sexo oposto (SIMÕES, 2003). Como em outros esportes, mulheres atletas têm de lutar constantemente com a idéia de que sua feminilidade e graciosidade estarão irreparavelmente comprometidas em função da opção pela prática esportiva (DEVIDE, 2005).

   
    Futebol e futsal feminino: artes que estão desenvolvendo cultura apesar das discriminações que ocorrem por falta de preparo dos especialistas. A prática do futebol/futsal feminino é um tema que trata-se de uma conquista recente, em que confere-se a invisibilidade e valores negativos, como o preconceito e estereotipia. 

     Quando Miller trouxe a pratica do futebol de campo para o Brasil em 1894, as mulheres não tinham oportunidades na pratica, pois elas eram apenas símbolos da beleza. Acredita que as principais desculpas para que a mulher não jogasse era de que a prática desses esportes por parte das mulheres afetava sua sexualidade e principalmente que elas não sabiam jogar de forma artística? Um defensor desses pensamentos nunca viu Marta jogando... Mas essa realidade começou a mudar quando a paixão por esses esportes se espalhou pelo mundo inteiro e quando alguns países como Dinamarca, Suécia e Noruega começam a apresentar equipes femininas de futebol. A 1ª competição internacional foi organizada em 1991 nos “USA”, onde a equipe americana se consagrou como a primeira campeã do mundo no futebol feminino. Mais tarde no ano de 1913 um jogo no Estado de São Paulo com intuito beneficente, apoiado pelos médicos da época, sendo o maior fato de curiosidade, que chegou a ser publicado com o título “As mulheres podem jogar futebol” (TEIXEIRA JR. J, 2006 p. 13-14-15). O primeiro patrocinador brasileiro do futebol feminino surgiu no ano de 1940, quando um Atacadista incentivou o campeonato feminino tendo como premiação um par de sapatos. Nesta década de 40 o futebol feminino foi proibido com argumentos higienistas, já no Brasil foi proibido com argumentos machistas e infundados.
    Acredita que um politico chamado José fuzeira escreveu uma carta pra Getúlio Vargas detonando a iniciação do futebol feminino? Um homem desse, ou não estava sabendo como se situar dentro da política e estava procurando outros fins pra fugir da realidade de merda que ele vivia, ou no mínimo, foi arriscar jogar bola com a irmã caçula e levou uma lambreta da mesma...


Carta a Getulio Vargas:

    [venho] Solicitar a clarividente atenção de V. Ex. para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina. Refiro-me, Sr. Presidente, ao movimento entusiasta que esta empolgando centenas de moças, atraindo-as para se transformarem em jogadores de futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar esse esporte violento, sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico de suas funções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe... Ao que dizem os jornais, no Rio, já estão formados, nada menos de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo Horizonte também já está constituindo-se outros. E, neste crescimento, dentro de um ano, é provável que em todo o Brasil, estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol, ou seja, 200 núcleos destroçadores de saúde de 2.200 futuras mães que, além do mais, ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa aos exibicionismos rudes e extravagantes. (Jose Fuzeira, em carta datada de 25/04/1940 e repercutida pela imprensa). (TEIXEIRA JR., 2006 p. 16).

    Assim, na era Vargas surge à lei “DL nº 3.199 e artigo 54” que proíbe a mulher de realizar atividades esportivas como futebol e futsal, só sendo revogada no ano de 1979, ou seja, 38 anos após sua proibição:
    Às mulheres se permitiram a pratica de desporto na forma, modalidade e condições estabelecidas pelas entidades internacionais dirigentes de cada desporto, inclusive competições, observando o disposto na presente deliberação. (Deliberação CND N.º7/6. N.º1). (TEIXEIRA JR.JOBER, 2006, p. 17). É revoltante saber o quanto a sociedade brasileira sofreu nesse período, e a ditadura ainda veio se meter com práticas esportivas. Mas, graças a esse sexo frágil que vencido por essa paixão não se abateu sobre tais leis, demorou, mas em 1982 se iniciou uma nova era no futebol feminino surgindo equipes de futebol e iniciando uma cultura diferente no Brasil, uma pratica diferenciada que se juntou ao estilo do povo brasileiro, onde podemos dizer que com a bola se realiza uma arte corporal imitável, sendo uma dança nos pés femininos, uma arte de espetáculo. Assim, o futebol além de ter arte passou a ter charme, hé!
    Embora se possa dizer que o futebol/futsal quebrou dogmas e deste modo os preconceitos existentes nas eras anteriores, deram lugar a liberdade feminina. Enfatizando que a atividade física é natural também do corpo feminino, mobilizando energias e influencias do seu potencial emocional, e de todas essas atividades, mobilizaram na mulher força, destreza, velocidade, habilidade, esforço e dedicação ao esporte, bem como melhor qualidade de vida. Tudo isso passou então a provocar maior conhecimento do universo feminino em características emocionais, psicológicas e físicas (TEIXEIRA JR., 2006).
    A realidade esta mudando, pois a mulher também gosta de futebol desde sua infância aprendendo a dar dribles e fintas, começando nas ruas, escolas e em casa com incentivo de suas famílias. Mas infelizmente, o futebol feminino está em um processo lento por não ter campeonatos nem investimentos, afetando assim sua estrutura organizacional. O preconceito e a falta de apoio continuam desestimulando grandes sonhos e apagando imagem de grandes jogadores que precisam tomar novos rumos para sobreviverem na sociedade atual. Para se manter essa beleza do futebol/futsal feminino é importante ressaltar que os profissionais de Educação Física precisam estimular as meninas a jogarem em escolas, clubes e ruas, procurando manter uma base sólida de influencias motoras em sua infância desde os movimentos básicos (andar, correr, saltar), não colocando o esporte apenas como competição, mas sim levando o esporte para a educação e trabalhando sem cobranças e pressões. Segundo Barbanti (2005, p. 35) “As crianças de hoje perderam a riqueza de movimentos das últimas gerações. Não sobem mais em árvores, não nadam nos rios, não brincam de pega-pega. Todas essas atividades são indispensáveis para que no futuro elas consigam se tornar esportistas saudáveis”, e assim formar atletas olímpicas, pois toda a base começa na infância.



   Quanto ao futsal, este ganhou força em 1940, quando a dificuldade em encontrar campos de futebol livres para poderem jogar surgiu e assim começaram a jogar nas quadras de basquete e hóquei. Mas as meninas sofreram seus preconceitos assim como no futsal e em sua grande maioria até os dias de hoje, muitas começam sua prática na rua, em locais onde não ocorre à iniciação esportiva, o qual, ainda que informal e desprovido de um tratamento pedagógico, é favorável ao aprendizado do futsal.
O que me deixa mais feliz e emprisionada, é que apesar de todos os pesares, o futebol feminino consegue de forma linda alcançar objetivos que muitos precocemente julgam impossíveis. Como nossas conquistas da organização de campeonatos estaduais e dos Brasileiros desde 2002 de Seleções Feminino. E na copa Sul-americana onde a equipe brasileira feminina é bicampeã, nas edições realizadas aqui no Brasil, em 2005, e no Equador, em 2007.

   De acordo com Fabiano Devide (2005), o esporte deve ser visto como um contexto importante para a humanização do ser humano. O mundo esportivo é uma arena importante para a socialização de crianças e adolescentes em relação aos valores da prática física, valores estes que precisam ser modificados e soltos das amarras estereotipadas dos papeis sexuais, que atribuem características masculinas ou femininas a determinados esportes e atividades físicas, delimitando, de antemão, os espaços destinados aos meninos e meninas que ingressam aos milhares, todos os dias, nos clubes, centros de treinamento, academias e demais espaços para a prática de atividades físicas e esportivas (p. 64) .

        Moura:

    Atualmente, para as mulheres brasileiras, sua participação ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade. (2007, p. 3).

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