E foi assim...
Os livros caindo dos meus braços,
o estresse subindo ao ver o ônibus dando partida,
uma pausa para tentar controlar toda aquela sensação de raiva e frustação.
Mas antes que eu pudesse planejar minhas próximas ações, lá estava ele apanhando meus livros e sorrindo descompromissadamente para mim. Eu fraquejei ao tentar falar algo.
- Vaamos. Eu também vou ter que esperar o próximo circular. Pelo que vejo vai chegar atrasada né? – ele continuava sorrindo, como se aquela situação já fosse comum para ele.
- Éee. – Não sei o motivo. Mas fiquei tão embaraçada com tudo aquilo que fugia de olhar diretamente para ele. Então, recolhi meus livros gentilmente das mãos dele, agradeci com um gesto mudo e um sorriso leve e me sentei na calçada. Ele pareceu não saber o que fazer. Andou um pouco para frente, mas titubeou e voltou para próximo de mim. O que me deixou estranhamente feliz.
- Eu não quero te incomodar, mas acho que o seu relógio está quase caindo...
E eu achando que ele queria conversar, me conhecer... Só estava mais uma vez sendo educado e me ajudando. Que vergonha! E acabei pensando alto:
- Vaaaleu! Ainda bem que tem pessoas gentis ainda no mundo. O que será que vou perder quando você sair de perto de mim?
Quando percebi o duplo sentido que aquela frase poderia ter, desviei meu olhar como se não esperasse mais a resposta.
- Bem... Se você quiser, posso continuar perto... Ao menos até você se sentir segura.
E é assim...
Amor existe e tem várias formas de se amar: Amizade verdadeira é tão rara como conseguir chegar na hora certa para pegar o ônibus ou se atrasar no dia certo.
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